Lembrete para alegrar a noite das crianças – A Folha (janeiro de 1977)

Por: São Carlos Cidade das Águas

jun 22 2011

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Categoria: Artigo, Crônica

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Abertura:f/3.5
Comprimento Focal:25.4mm
ISO:100
Disparador:1/0 seg
Câmera:DSC-H50

Foto acima: Jardim Público (nome oficial Praça Paulino Botelho) com o aquário/fonte mencionado por Eduardo Kebbe. (foto: L.Pavesi)

(..) Tanto tenho insistido no assunto que, francamente, cheguei a desanimar; como dizem que a esperança é a última que morre, decidi volver ao tema, prevalecendo-me desse fato de que a cidade, em breve, será governada por novo prefeito. Quem sabe ele resolve atender a gente, já que, por mais que eu pedisse, até agora ninguém deu bola?
Tenho andado pelas ruas desta e de outras cidades e verificado uma certa coisa que, a rigor, não devia existir, já que essa coisa faz realmente o encanto da gente miúda, ou seja, dos chamados cidadãos de amanhã. O problema é o seguinte: o problema são as fontes luminosas que jamais funcionam, que existem por existir, sem cumprir seu papel que é o de decorar a noite são-carlense, tão escassa de entretenimento. Entra semana, mês, ano, sai ano, entra ano, e as fontes continuam ali, imóveis, estáticas, como peças obsoletas, sem nenhuma utilidade. É o caso da fonte do Largo São Benedito; é o caso da fonte do jardim defronte à Catedral; elas nunca funcionam, e a gente fica sem saber porque é que se gastou tanto dinheiro na sua construção.
Nesse mesmo jardim defronte à Catedral existe também um aquário vazio, com pedrinhas e vegetação, mas que igualmente não cumpre sua finalidade. Aliás, deixou de cumprir desde quando os depredadores acabaram com os peixinhos ali existentes, como se as caladas das noites fossem o momento propício para se espalhar o espírito-de-porco em pó…
Quem se sabe se voltando a funcionar e atraindo pessoas, as fontes não animassem também o comércio a abrir suas vitrinas e acender os letreiros luminosos, oferecendo algum lazer e motivando o povo a sair às ruas? Não é preciso dizer que, em outras cidades, as fontes funcionam normalmente, como fato corriqueiro e que também é preciso, nestas noites de verão, oferecer algo aos que passeiam pelas ruas em busca de distração, sobretudo agora, que muita gente vai passear a pé, devido ao problema da gasolina.
Já opinei, também, no sentido de equipar-se e melhorar a nossa banda de música, dando-lhe condições de se apresentar semanalmente, nas noites dominicais, em nossas praças públicas. Então pergunto: existe coisa mais dominical e mais interiorana que uma banda de música? Ela é tão dominical como o simples pipoqueiro que se aboleta nas esquinas, à espera de uma criança querendo pipoca.
Sem querer ser impertinente, sem a mais remota intenção de botar pedrinhas no caminho de ninguém, pois não é fácil administrar uma cidade, mas talvez com o espírito meio saudosista, meio pueril, deixo, entretanto, este lembrete simples ao prefeito que assume (..)”
Autor: Eduardo Kebbe

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